O fóssil de dinossauro que habitava o Brasil há mais de cem milhões de anos pode guardar resquícios de células sanguíneas. Pesquisadores descobriram o que consideram, até agora, a evidência mais forte de células sanguíneas em um fóssil de dinossauro. 

Os cientistas identificaram inúmeras estruturas microscópicas nos ossos da perna direita da espécie carnívora Aratasaurus, que parecem ser glóbulos vermelhos fossilizados. Eles encontraram também evidências químicas relacionadas a um componente essencial dessas células — uma biomolécula que contém ferro, chamada heme B, associada à hemoglobina, a proteína que dá ao sangue a cor vermelha.
A investigação científica foi liderada pela pesquisadora australiana Kliti Grice, da Universidade Curtin, com a participação direta de cientistas brasileiros: Renan Bantim e Antônio Saraiva, da Universidade Regional do Cariri; e Juliana Sayão e Alexander Kellner, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Museu Nacional.
Mas a publicação alerta que o estudo, não documenta DNA de dinossauro e não deve ser interpretado como evidência de que o material genético intacto da espécie esteja presente nos ossos pesquisados. O DNA mais antigo já relatado por cientistas veio de animais, plantas e micróbios datados de cerca de 2 milhões de anos atrás, encontrados em sedimentos da Groenlândia.
O estudo publicado nesta semana na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos – uma das revistas científicas multidisciplinares mais importantes e prestigiadas do mundo, destaca que esta rara preservação de tecidos moles e aminoácidos de colágeno revela detalhes da biologia antiga e amplia os limites da análise molecular em fósseis. A preservação de materiais biológicos por períodos tão longos é um dos aspectos incomuns e que abre novas possibilidades de pesquisas. Tecidos e moléculas orgânicas normalmente se degradam durante o processo de fossilização, tornando difícil localizar resquícios do tipo de material encontrado pelos cientistas em fósseis tão antigos.


Apresentação da descoberta de um novo fóssil de dinossauro: o Aratasaurus museunacionali. – Divulgação/Juliana Sayão/Museu Nacional
A ossada do Aratasaurus, que inclui partes do fêmur direito, da tíbia e do pé, foi desenterrada em uma mina de gesso no estado do Ceará, em 2008. A espécie viveu no período cretáceo, há cerca de 115 milhões de anos.
*Com informações da Agência Reuters.