Transporte público vira epicentro do debate político em São Luís após série de vídeos sobre contrato de 2016

O transporte público de São Luís voltou ao centro do debate político. O tema ganhou força depois que o ex-prefeito Edvaldo Holanda Júnior decidiu ocupar as redes sociais para responder a questionamentos de usuários do sistema e rebater a narrativa de que teria deixado o município “refém” das empresas de ônibus por conta da licitação realizada em 2016.

No primeiro vídeo, Edvaldo aborda temas recorrentes entre os passageiros, como a redução da quantidade de ônibus com ar-condicionado, a diminuição da frota em circulação e o fim do Cartão Transporte, benefício que garantia gratuidade para crianças. Segundo o ex-prefeito, as mudanças têm explicações que vão além do contrato de concessão firmado durante sua gestão.

A repercussão levou o vereador Douglas Pinto a publicar um vídeo atribuindo os problemas atuais à licitação realizada em 2016. Na avaliação do parlamentar, o contrato seria o responsável por limitar a atuação da Prefeitura na condução do sistema de transporte coletivo.

A resposta veio em seguida. O turismólogo, influenciador digital e ex-subprefeito do Centro Histórico,  Fábio Henrique divulgou um vídeo contestando as declarações do vereador. Segundo ele, Douglas Pinto distorceu os fatos ao comentar o contrato e fez afirmações incompatíveis com o documento. Durante a gravação, Fábio apresenta o contrato de concessão, composto por 39 páginas, e afirma que o texto prevê mecanismos de punição às concessionárias, como advertências, multas, suspensão, declaração de inidoneidade e até a caducidade da concessão.

Ainda de acordo com Fábio Henrique, o contrato também assegura ao poder concedente prerrogativas para fiscalizar o serviço, alterar itinerários, modificar frota e horários, intervir na operação e até encerrar a concessão por interesse público. 

O candidato também questiona se a atual administração utilizou esses instrumentos e sustenta que o modelo adotado em São Luís segue o padrão aplicado em outras cidades brasileiras.

Com a sequência de manifestações, o debate sobre o transporte coletivo ganhou novo fôlego e extrapolou a discussão sobre a qualidade do serviço. 

O foco passou a ser também a disputa de versões sobre o contrato da licitação de 2016, transformando o tema em um dos principais assuntos da política ludovicense nas redes sociais.