A Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência assinaram uma nota pública com preocupações sobre possíveis interferências e pressões externas no processo eleitoral brasileiro deste ano, tanto por pressões políticas, econômicas quanto manipulação de informação.

As duas entidades alertaram sobre as pressões dos Estados Unidos e apoiaram a iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que recorreu na semana passada à ONU. O Instituto enviou ofício para o Secretário-Geral, António Guterres, citando também o risco de interferência dos Estados Unidos, por meio de exigências de negociações comerciais, ataques a instituições como o STF e questionamentos ao sistema brasileiro de votação.
Um dos objetivos dessa estratégia seria influenciar a escolha do voto, desacreditar as eleições, para depois, contestar o resultado das urnas.
Essa não é a primeira vez que o alerta é feito. A Agência Brasileira de Inteligência também elaborou um relatório sobre a escalada da pressão norte-americana nos últimos meses. A Abin apontou que a “hegemonia dos EUA na América Latina” é prioridade de Donald Trump para afastar “rivais dos EUA”, como a China, da região. O documento foi encaminhado em agosto ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça.
Em maio e julho, o Itamaraty já havia alertado sobre o “potencial uso da força militar” dos EUA contra o Brasil, uma clara ameaça à soberania nacional.
Diante desses alertas, o PT pediu ao STF uma investigação sobre interferência estrangeira nas eleições. O PT apresentou pedido ao ministro Flávio Dino, no âmbito da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1.178, que define que atos unilaterais, decisões judiciais, leis e sanções feitas por países estrangeiros não têm eficácia automática no Brasil.
O pedido é de abertura de inquérito pela Polícia Federal e a ampliação de medida liminar para combater interferências estrangeiras na disputa presidencial.
O Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou sobre o pedido.